Edição de Abril de 2009

O PROSCÊNIO

REDATOR E EDITOR: FABIANO SANTOS DRT 51391/SP
Distribuição Gratuita – Ano 1 – Nº 1 – Sábado e Domingo

Renovação
Movimento de teatro amador santista. Na tarde de sexta-feira, do dia 10 de Abril, a sala de espetáculos Plínio Marcos, na Cadeia Velha foi local para um pequeno grupo de artistas discutirem o panorama do teatro amador em Santos e região. O principal ícone deste encontro foi o baixo índice de público. Os presentes na reunião recordaram anos vindouros. Criticaram segmentos e proporão soluções.
Não a saída! Agora é arregaçar as mangas. Ficar esperando uma verba, estar só estudando, assistindo espetáculos, sentando e debatendo qualidades e qualidades não é solução. Tampouco atitude. A maioria dos artistas estão amargurados. Descrentes de um movimento. A produção artística e cultural caiu muito. Poucos grupos continuam na ativa. Os espaços culturais estão abertos. Teatro Coliseu, Guarani, Sesi, Metalúrgicos, Sindipetro… O que precisa para o movimento de teatro amador ocupar os espaços? A resposta se ressume em “motivação”.
Ego e rivalidade. Dívidas da extinta federação. Oportunismo de artistas. Estas são as causas apontadas para uma queda em Santos e região.
Novas metas foram tomadas. Dentre elas estão uma mostra de teatro, leituras dramáticas, a divulgação deste tablóide, entre tantas outras que serão discutidas nas próximas reuniões. No dia 2 de maio, sábado, os artistas se encontram para mais uma reunião. Desta vez o local é a Concha Acústica, no canal três, as 15h. O objetivo destes artistas é modificar e movimentar a cidade artisticamente.

Crônica
“Alma de Artista”, por Paulo Sacaldassy.
Hoje em dia, o que tem de gente querendo ser artista é um absurdo, chega as raias da loucura. Parece que não teremos mais, médicos, advogados, engenheiros, dentistas, professores, contadores… Mas, como identificar um artista entre tantas pessoas? Um artista a gente conhece pela alma! Alma de artista exala sensibilidade por todos os poros. É capaz de emocionar com gestos simples, sem dizer nada, faz chorar e rir com a naturalidade de quem diz: bom dia! Tem uma luz que ilumina qualquer espaço que ocupe. Um artista a gente conhece quando conseguimos enxergar a sua alma. Uma alma que exala poesia escrita em algumas mal traçadas linhas, ás vezes até desconexas, pelo dedilhar das cordas de um violão, pelas piruetas dadas sobre sapatilhas surradas, pelo canto sutil de uma voz que ecoa em nossos ouvidos como sinfonia, por uma interpretação simples e natural que transborda emoção, mesmo que a cena seja apenas a expressão do silêncio. Eu sei que não é fácil separar o joio do trigo, ainda mais quando a própria mídia se encarrega de plantar a confusão entre o que é ser um artista ou não. Tem horas que não sabemos, se o que vemos é o básico, e se esse básico é clássico, ou esse clássico é erudito, ou se esse erudito é popular, ou ainda, se esse popular é o básico que se quer mostrar.É claro que muitos que circulam pela mídia têm sonhos, que outros tantos têm a oportunidade, e outros têm apenas a curiosidade, mas o artista de verdade, se sobrepõe a tudo isso, e nos fala através de sua alma. E cabe a nós, simples mortais, acolher essa alma como um presente divino, pois, a alma do artista transcende a matéria que alguém nos tenta vender. Se você quiser conhecer um artista de verdade, abra bem os olhos e desarme o seu coração, porque um artista vai muito além de um corpo sarado e bonito.A alma de artista exala verdade, seja sobre um palco, sobre um trapézio, sobre um picadeiro, ou sobre o asfalto quente de uma praça qualquer, e se você deixar, a alma do artista vai lhe fazer rir, lhe fazer chorar, lhe emocionar, e com certeza, vai lhe fazer um pouquinho feliz. Para ser artista, não precisa muito, apenas vocação, dedicação, um pouco de estudo, uma boa dose de sacrifícios e alma, alma de artista!

QUEM É QUEM
Orleyd Faya
Mais de 20 anos de carreira. Artista íntegra do teatro. Pessoa generosa e espirituosa. Uma profissional autêntica. Pesquisadora. Estudiosa. Defensora do teatro amador. Conversando no seu apartamento perto do mar da Ponta da Praia, Orleyd falou do seu início de carreira, quando ainda estudava Direito e perto do último ano se deparou com o teatro. Sua primeira experiência foi numa oficina de teatro ministrada por Tanah Corrêa, hoje marido. Fez parte do grupo de teatro Fanzine, com o jornalista Raul Cristiano e o escritor Valdir Alvarenga. Recentemente desenvolveu uma dissertação de mestrado defendendo “O Teatro Paulista de Amadores – De 1964 a 1985”. O período da ditadura militar. Numa conversa espontânea, Orleyd revelou sua paixão pelo teatro amador.
1) O Teatro Amador.
O Amador é uma opção! Não tem o compromisso com o mercado. O amador é aquele que ama. Ele revolucionou o teatro brasileiro. Cerca de 99% dos artistas brasileiro são amadores.
2) O Festival Santista de Teatro Amador.
O público (povo) não se sente participante. Tirar o nome Amador do título, cortar a premiação, inverter datas…. Tudo isso não resolve. As pessoas precisam ser ouvidas. E estas pessoas precisam se manifestar. Tem que participar.
3) Um artista.
Plínio Marcos. Este foi o primeiro dramaturgo brasileiro a colocar de verdade o povo brasileiro no palco. Enfrentou a resistência. Foi coerente na vida que levou como artista. Uma pessoa bastante generosa e humilde.
4) Conselho aos novos artistas.
O teatro traz muita riqueza. Perseverança. Seriedade. Responsabilidade. Ética. Estudo. Desejar fazer com integridade. O artista sempre será considerado um nada. Para vencer e superar estes obstáculos é necessário ter muita vontade.

Editorial
Mais forte do que nunca!
A classe teatral está viva! Sempre esteve! E, sempre vai estar! O artista quando some está se reciclando, estudando, organizando idéias, se interligando com outros segmentos… Mas, jamais esquecendo seu compromisso com o público. Nunca negando o seu ofício. Cheio de axé ele se renova e inova. Inovar! Eis a palavra. ‘O Proscênio’ surge com este objetivo. Nesta primeira edição a classe teatral mostra sua força e dedicação. Está mais forte do que nunca. Aliada a todos os segmentos artísticos. Em breve muitos ventos hão de soprar movimentando o terreirão cultural desta cidade. Você artista de qualquer segmento. Qualquer área. Departamento. Cultura. Religião. Junte-se a nós e faça a sua parte. Que Deus ilumine nossos passos e seja luz maior e poderosa nesta estrada. Que caminhemos com força e coragem pois, MAIS FORTE É QUEM RESISTE.


Uma resposta to “Edição de Abril de 2009”

  1. Acabo de receber – via e-mail – a primeira edição de “O PROSCÊNIO”, iniciativa que aplaudo calorosamente. Agradeço as palavras delicadas que Fabiano dirigiu a mim na coluna QUEM É QUEM. Assisto feliz e entusiasmada a esta iniciativa de retomada do sentido coletivo do Movimento de Teatro de Amadores em nossa região, sentido este sem o qual o Movimento certamente não sobreviverá e desejo força e sucesso para todos os envolvidos.
    Um até breve – agora – esperançoso,
    orleyd

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